Participar no projeto O Requinte e a Delicadeza de uma Chavelha, promovido pelo Museu Carlos Machado em parceria com a CRESAÇOR, foi para o Lar Augusto César Ferreira Cabido muito mais do que um exercício artístico: foi um reencontro com memórias, afetos e tradições que habitam a alma açoriana. Inspirados pelas exposições “Cântico a Cor”, de Domingos Rebelo, e “Requinte e Delicadezas”, de Maria Jovita, os nossos idosos mergulharam na delicada arte do papel, transformando simples flores recortadas em pedaços vivos de história e identidade.
Ao longo das sessões, cada gesto de dobrar, cortar ou colar revelou-se um ato de partilha. Entre conversas e risos, ouvimos histórias antigas, recordações das festas do Espírito Santo e dos dias de outrora, fazendo com que mãos já cansadas se enchessem novamente de propósito. A criação da nossa chavelha tornou-se um símbolo coletivo de dedicação e beleza, fruto da criatividade e do carinho de cada participante que dedicou a este projeto várias horas do seu dia “Podemos fazer mais flores?”.
Mais do que o seu objeto final, este projeto foi um reflexo de todas as horas partilhadas. Foi emocionante testemunhar como cada pessoa idosa, à sua maneira, deixou a sua marca. Com dificuldades diversas, cada um foi capaz de realizar as flores, ao seu jeito e com a sua beleza. Este, para nós, Lar Augusto César Ferreira Cabido, foi o ponto mais bonito e enriquecedor deste projeto. Conseguir que baixas autoestimas se envolvessem de forma tão fácil e carinhosa neste projeto. A autoestima cresceu, o sentido de pertença fortaleceu-se e o brilho nos olhos mostrou-nos que nunca é tarde para criar, sonhar e celebrar a vida.
Este projeto foi, para nós, uma prova viva de que a inclusão se constrói com gestos simples e que a tradição, quando partilhada, é capaz de se renovar e fortalecer. Na nossa chavelha estão impressas não apenas flores de papel, mas também a memória, a dignidade e a alegria de todos aqueles que ajudaram a dar-lhe forma: idosos, respetivas famílias e funcionários.
Queremos deixar um profundo agradecimento ao Museu Carlos Machado por nos ter incluído nesta iniciativa tão rica e inspiradora. A forma calorosa, respeitosa e próxima com que se relacionaram com os nossos idosos revelou a vocação desta equipa para trabalhar com esta geração.
Recomendamos vivamente que nunca deixem de abrir as portas dos vossos projetos aos lares de idosos, pois o vosso trabalho traz benefícios imensos, reavivando memórias, reforçando a autoestima e alimentando a alegria de viver dos nossos residentes.